Saberes Indígenas na Escola é uma ação que busca promover a formação continuada de professores da educação escolar indígena, especialmente daqueles que atuam nos anos iniciais da educação básica nas escolas indígenas; oferecer recursos didáticos e pedagógicos que atendam às especificidades da organização comunitária, do multilinguismo e da interculturalidade que fundamentam os projetos educativos nas comunidades indígenas; oferecer subsídios à elaboração de currículos, definição de metodologias e processos de avaliação que atendam às especificidades dos processos de letramento, numeramento e conhecimentos dos povos indígenas; fomentar pesquisas que resultem na elaboração de materiais didáticos e paradidáticos em diversas linguagens, bilíngues e monolíngues, conforme a situação sociolinguística e de acordo com as especificidades da educação escolar indígena. (MEC)
A Rede é composta por 24 instituições, sob a coordenação das seguintes IES: Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal de Rondônia (Unir), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Instituto Federal de Roraima (IFRR) e da Universidade Estadual da Bahia (Uneb). São parceiras as secretarias estaduais e municipais de educação.
A Rede SIE UFMG foi implantada em 2013 e é formada por seis IES, cada uma constituindo um Núcleo (as atividades desenvolvidas na UERJ fazem parte do Núcleo da UFMG), e abrange os estados do sul e sudeste, assim como envolve parcerias com universidades da região amazônica e de ONGs.
A Rede SIE UFMG vem atuando junto a 11 diferentes povos indígenas: Guarani, Kaingang, Xokleng, Xakriabá, Pataxó, Maxakali, Tupiniquim, Palikur, Wajãpi, Yanomami/Sanumá, e Ye’kwana. Em alguns casos, temos a presença de um mesmo povo que se estende territorialmente, como os Guarani que estão presentes em 6 estados, os Kaingang em 3 estados e os Pataxó em 2 estados.
A produção de materiais que atendam às especificidades de cada povo e das escolas em suas comunidades, e em especial, a produção de material pedagógico (para formação dos professores), didático (de uso em sala-de-aula) e paradidático (de uso amplo, mas que pode ser apropriado para atividades didáticas, como é o caso de livros de literatura infantil e de vídeos de diferentes formatos) tem avançado com muitas dificuldades, e de forma descontínua. Em função disso, não chegamos a ter um acervo suficiente e adequado para a atuação nas escolas, e nem uma produção já suficientemente experimentada e com volume de publicações e variedade tal que permita, por um lado, sua difusão e uso ampliado e, por outro, a identificação de critérios e/ou recorrências na definição mesma dos formatos e propostas de materiais que sejam de fato mais capazes de responder às exigências de uma prática educativa diferenciada e específica, como programaticamente previsto.
Para avançar em relação a essa situação, a proposta da ação SIE tem um duplo caráter: de estímulo à implementação de experimentações em sala-de-aula que produzam propostas de materiais; e de sistematização, finalização e reprodução de materiais cuja utilização tenha possibilitado aferir sua qualidade para que sejam efetivamente difundidos e ampliados em sua utilização. Em muitos casos, temos experimentações em curso promovidas pelas licenciaturas indígenas, através da produção de pesquisas e monografias, ou de programas como o PIBID, ou por iniciativas de ONGs e universidades parceiras que atuam junto aos professores e escolas indígenas.
A centralidade do trabalho com a leitura e escrita – em língua indígena e em português – especialmente em sua fase inicial, é o foco dessa primeira etapa da ação SIE. Para tanto, é necessário mobilizar competências e recursos de diferentes campos do conhecimento – linguística, antropologia, educação, dentre outros – mas também envolver profissionais que lidam com os diferentes suportes midiáticos, pessoas e profissionais com diferentes experiências, para que se chegue a configurar equipes qualificadas para levar adiante a implementação da ação. No caso das línguas indígenas, mais crucial se torna a configuração da equipe uma vez que são poucas e pouco conhecidas as experiências de sucesso em alfabetização nas línguas indígenas em uso nas escolas.
A Rede SIE se organizou de maneira a criar esse cenário articulado entre as escolas indígenas e as instituições parceiras, de modo a dar sustentação à realização de um conjunto continuado e sistemático de experimentações e iniciativas que possam efetivamente conduzir a um avanço dos processos e dos produtos. Foram gerados até agora materiais escritos em diferentes formatos e suportes, práticas de conhecimento e de produção da escrita e da leitura em diferentes contextos e formatos, nas escolas e nas comunidades, em língua indígena e em português segundo os desejos e projetos de cada povo indígena e de cada comunidade.
Implantação do SIE UFMG